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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

23.Fev.07

A SAÚDE E OS SEUS DETERMINANTES

“A saúde é por demais importante para estar só na mão dos médicos – cada qual tem que aprender a tomar conta da sua.”

 

Entre as várias definições propostas para o conceito de saúde, figura a da Organização Mundial de Saúde: “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Uma boa definição que está, no entanto, longe de traduzir a saúde enquanto equilíbrio dinâmico e instável, não contemplando a variedade multifacetada de determinantes que influenciam a saúde.

A saúde não depende certamente apenas do estado clínico da pessoa, mas sim de toda a complexidade do ser humano. Os receios, as angustias, as oportunidades, as condições de vida, o papel desempenhado na sociedade… tudo isto são factores que influenciam directamente a saúde da pessoa. Assim, a saúde enquanto equilíbrio depende de três vectores determinantes: agente, ambiente e hospedeiro.

Os agentes patológicos que actuam sobre o indivíduo “ hospedeiro” são de vários tipos: biológicos, químicos, físicos, nutrientes e mecânicos.

O ambiente (físico, químico, biológico, económico, social e psicosocial) é outra variável indissociável da saúde da pessoa, facto do qual já se apercebera o pai da Medicina, Hipócrates: On Airs, Waters and Places”.

O hospedeiro é também um determinante no equilíbrio da sua própria saúde no que se refere: à idade, ao género, à etnia, aos hábitos e costumes, aos mecanismos de defesa, aos factores genéticos e à reacção psico-biológica. Por exemplo, o cancro está dependente de múltiplos factores característicos do indivíduo: da idade, género, álcool, nutrição, obesidade, excercício físico, tabaco, …

Assim, sobre os hospedeiros actuam estímulos e factores únicos ou múltiplos, transmissíveis ou não, cuja actuação pode ter diferentes efeitos: podem aumentar a susceptibilidade ao agente patológico (predisponentes), podem favorecer o desenvolvimento da doença (facilitadores), podem associar-se ao início da doença, como é o caso do stress (precipitantes) e, por fim, podem agravar a doença (de reforço).

Uma das aliadas da prevenção na Medicina é, certamente, a possibilidade de recorrer à História Natural da Doença, isto é, as características da progressão da mesma quando não sujeita a tratamento, o que facilita o seu diagnóstico precoce, evitando a evolução da mesma.

Neste mesmo sentido, é importante um acompanhamento do alastramento das doenças, no que toca o país e as regiões. Assim, é importante que sejam tidos em conta os resultados estatísticos de comparação de várias doenças com o nosso país e dentro dele, as suas variações de região para região. O conhecimento destes padrões aumenta o potencial de prevenção, tal como a oportunidade de intervenção.

Por exemplo, o nosso país é dos mais afectados pelo cancro do colo e do recto, tal como pelo cancro do estômago, o que está, obviamente, relacionado com a gastronomia portuguesa (o gosto pelos enchidos, por exemplo). Além disso, os portugueses ainda não estão sensibilizados para esta realidade, nem para a importância de um diagnóstico precoce no tratamento da doença. Os exames de rastreio são importantíssimo e podem diminuir a taxa de mortalidade no nosso país. É neste campo que, mais uma vez, intervém a Medicina Preventiva, junto das pessoas numa tentativa de sensibilização para a importância destes mesmos exames de rotina. A intervenção é feita de três modos distintos: enquanto saudável (prevenção primária), no inícios da doença (prevenção secundária) e num estado de doença estabelecida (prevenção terciária).

A Saúde enquanto direito constitucional é garantida pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A Medicina Preventiva actua de acordo com várias estratégias junto das populações, numa tentativa de viabilizar e tentar aumentar o sucesso das suas intervenções. O seu principal objectivo é promover a saúde e prevenir a doença, recorrendo a diversas matérias e disciplinas e intervindo junto das causas da saúde e da doença.

 

 

“Alguns pressentem a chuva; outros contentam-se em molhar-se.”

Henry Miller